Os Bons Sabores de Sintra…

Os produtos artesanais têm enorme importância no quotidiano do Homem, e desde os tempos mais ancestrais até à Revolução Industrial todos os obejtos necessários ao dia-a-dia eram feitos manualmente. O Saloio foi, durante muitos anos, trabalhador do campo, negociante dos seus produtos e criador de objetos e ferramentas fundamentais para o bom desemepnho do seu quotidiano, tendo transmitido essa arte, de realizar com as próprias maos, de geração em geração.

Esquecido durante algum tempo, a importância do artesanato começou a ressurgir, pois é uma forma viva de divulgar a história e a cultura do nosso povo e nos últimos anos, a arte de fazer objetos decorativos/manufaturados tem-se difundindo.

As artes e ofícios produzidos em Sintra refletem na sua maioria, memórias dos tempos em que essas atividades eram marcantes na vida das populações do concelho.

Ainda me lembro da minha mãe costurar os taleigos, os tradicionais “sacos do pão” que era habitual deixar na porta para o padeiro deixar o pão logo de manhãzinha, mas também para guardar o feijão ou o grão. Eram feitos com retalhos de roupas que já não se usava e como gostava de vê-la a cortar muitos tecidos, como os restos de roupa velha. A minha mãe tinha imensos… assim com esse travo de antigamente e eu já herdei alguns. Boas Recordações!

São muitas as artes que foram integrando novas tendências e processos produtivos e muitos os ofícios, que resultam de um talento que atravessou gerações e que sugiro a conhecer, como sejam os bordados a tecelagem, a trapologia, a olaria, a cestaria, a cerâmica, a escultura, o mármore a os painéis de azulejos, entre muitos outros.

No entanto, as artes, acompanhando a modernização e as necessidades dos tempos, também se alteraram, sendo possível encontrar artesãos que se dedicam a criar peças decorativas de âmbito artesanal mais contemporâneo.

A produção artesanal do concelho é assim vasta e diversificada, desenvolvendo-se em várias áreas, atraindo não só os próprios residentes, mas, principlamente, os turistas que diariamente visitam Sintra e procuram uma recordação desta Vila encantadora.

OS BONS SABORES DE SINTRA

 

A gastronomia é um elemento importante que caracteriza a etnografia da região saloia. O desfrutar das iguarias típicas é também um (re)encontro com as nossas raízes. Ao provarmos um cozinhado, não nos devemos esquecer que, por detrás da sua confeção e da sua apresentação, há toda uma enorme herança cultural que a faz tal como ela é.

Para um povo com um passado histórico tão rico como é o caso dos saloios sintrenses, os aspetos gastronómicos adquirem um forte valor tradicional que importa preservar e fomentar. Variada e abundante, a culinária da região é capaz de fazer crescer água na boda a qualquer comensal. É possível saborear um apetitoso prato de carne como um Leitão dos Negrais ou os apreciados pratos de peixe, onde abunda o marisco.

A acompanhar qualquer refeição indispensável é o Vinho de Colares, sobretudo a sua famosa casta Ramisco, um dos primeiros da carta de vinhos de Portugal.

E porque as coisas boas da vida têm mais sabor quando são partilhadas, é inevitável falar da doçaria de Sintra e das suas doces lembranças…

Uma busca pelas melhores queijadas e travesseiros de Sintra não é questão que se resolva apenas pelo paladar. A verdade é que, desde que se saiba onde procurar, é fácil encontrar uma destas iguarias feita a preceio: basta recordar os nomes que compõem a tradição centenária destes doces. Cada uma das fábricas respira História e, acima de tudo, experiência a juntar todos os ingredientes que resultam nestas delícias.

 

As Queijadas não têm paternidade certa: sabe-se que eram produzidas num ou vários conventos já no século XIII e que chegaram a ser usadas como moeda de troca no pagamento de rendas e foros. Certo é que eram uma das iguarias preferidas de D. Carlos e, antes dele, paragem obrigatória para os fidalgos que tinham casa em Sintra no século XVIII. Se a vila sempre foi merecedora de uma visita, este é só mais um argumento.

Ao contrário da sua visinha queijada, o Travesseiro (a gulodice mor do local) é de criação muito mais recente apesar de ter raízes que se perdem no tempo. Terá sido na fábrica “Piriquita”, durante a década de 40, que se redescobriu e adaptou uma receita antiga.

Uma coisa meio engraçada que acontece quando procuramos para a moça do balcão de que é feito o Pastel da Cruz Alta Céu (ou o de Sintra), a tendência é para responder : Feijão. Quando chega a hora da ‘degustação’, o sabor não parece de feijão, mas que é igualmente saboroso é e muito! O Pastel da Cruz Alta vem embaladinho individualmente.

Um docinho da região de Sintra também muito apreciado são os Fofos de Belas. São uma receita caseira de uma pasteleira que um dia, decidiu rechear o tradicional pão-de-ló com um creme. E que bem resultou!

Vá a Sintra e deixe-se envolver pela magia Palaciana e pela sua doçaria.